Concepções de estágio e experiências que contribuem para a formação docente
O
estágio sempre foi visto como a parte prática dos cursos, sendo considerado
oposto à teoria. Porém de acordo com Pimenta e Lima (2006), estágio é um campo
de conhecimento que se produz na interação dos cursos de formação com o campo
social no qual se desenvolvem as práticas educativas. Nesse sentido, o estágio
se constitui como atividade de pesquisa. Para desenvolver essa perspectiva é
necessário compreender o desenvolvimento do estagio como atitude investigativa,
que envolve a reflexão e a intervenção na vida da escola, dos professores, do
aluno e da sociedade. O estágio como pesquisa precisa ser assumido como
horizonte a ser alcançado nos curso de formação. Pimenta e Lima apresentam,
como mostraremos a seguir, 4 modelos de estágio, que apresentam positividade e
limitações.
“A
prática como imitação de modelos” apresenta como aspecto positivo a
aprendizagem a partir da observação, da reprodução e da re-elaboração dos
modelos já existentes na prática profissional.
Pimenta e Lima (2006) afirmam que o aluno aprende com o professor ,
observando-o, imitando-o e analisando criticamente o modo de ser do docente
para então separar e escolher aquilo que consideram adequado. A limitação desta
concepção de estágio é que ela é uma prática modelar que não leva em consideração
as transformações históricas e sociais que trouxeram para a escola novas
demandas e realidades.
Outra
concepção de estágio apresentada por Pimenta e Lima (2006) é “A prática como
instrumentalização técnica”. O seu ponto positivo é que a docência, assim como
qualquer outra profissão, é um exercício técnico, que necessita de técnicas
para realizar as operações, o seu trabalho. A sua limitação se dá devido a
restrição do professor a prática, ao como fazer e fazer por fazer, então o
estágio se torna mão de obra gratuita, sem domínio do conhecimento teórico.
“O
estágio: aproximação da realidade e atividade teórica” é uma concepção de
estágio, que de acordo com Pimenta e Lima (2006) é boa por ser reflexiva, há a
discussão da prática docente, que é entendida como transformadora. A limitação
desta concepção se dá devido o fato de a aproximação à realidade só ter sentido
quando há envolvimento, intencionalidade, a maioria dos estágios são
burocratizados, carregados de fichas de observação.
“O
estágio como pesquisa e a pesquisa no estágio” tem o lado positivo de a
pesquisa ser uma estratégia, um método, uma possibilidade do estagiário como
futuro professor. O estagiário pode desenvolver postura e habilidades de
pesquisador, a partir das situações de estagio, elaborando projetos que
permitam a compreensão e a problematização das situações observadas. A
limitação desta concepção é não considerar a pesquisa como verdade absoluta, os
estagiários vão a escola par dizer o que professor tem que fazer.
Neste
período, na disciplina de Estágio Supervisionado I, iremos estagiar na gestão
escolar, com isso espero desenvolver uma atitude investigativa, reflexiva e
interventiva para transformar a realidade do professor, da escola do aluno, a
minha e a da sociedade. Espero poder unir teoria e prática, que são
indissociáveis para desenvolver uma atividade de pesquisa, como deve ser o
estágio. Edna Prado (2012) nos ajuda nessas expectativas e afirma que devemos
refletir sobre o processo de construção da identidade dos futuros gestores, buscando os saberes necessários à formação profissional que
superem a falsa dicotomia entre saberes teóricos e prática pedagógica.
REFERÊNCIAS:
- PIMENTA, Selma Garrido. LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência: diferentes concepções. Poíesis, Tubarão, SC, v.3, n.3 e 4, p.5-24, 2005/2006.
- PRADO, Edna. Estágio na licenciatura em Pedagogia: gestão educacional. Petrópolis, RJ: Vozes,; Maceió, AL: Edufal, 2012.

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